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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Um cafezinho vibrante
7 de janeiro de 2016 at 18:20 34
Começo de ano, começo de mês, começo de semana, começo de dia. Isso me alivia e me desespera. Tudo de novo. Infecção, não. Infestação, também não. Fugiu a palavra. Como é que chama quando você toma muito café e passa mal? Eu estou com “lálálá” de caféina. Poderia ser convulsão de cafeína, mas não é. Pior do que estar assim, é tentar lembrar uma palavra pra começar seu texto com a mente acelerada e ela estar na ponta da língua mas não sair. Acho que começa com I de índio, indiana ou de impressionante, por que eu bebi tanto café? Pra acordar. Acordei com sono. Nunca gostei de café, mas comecei a tomar nessas situações que precisava viver a vida, ser produtiva, trabalhar quando na verdade queria dormir. Da mesma forma que aprendi a tomar cerveja. Tinha 15 anos e os churrascos só tinham cerveja e linguiça - era o que dava pra bancar com o orçamento da mesada. Tomava tapando o nariz num gole só, até que um dia virou bom. O café continua ruim. Dormi mal, mas o mundo não vai esperar eu dormir mais. Talvez seja só a minha cabeça que argumente isso. O mundo somos quem? Os outros? Os outros não estão nem aí se eu dormir mais. Cada um está muito preocupado com o seu próprio umbigo ou com o seu próprio café. Mas nós dizemos que o mundo não espera, como se o mundo fosse uma pessoa irritada batendo na porta, dizendo que você está atrasado. Por que não acordou mais cedo? Por que não trabalhou mais? Vai trabalhar vagabundo! Enquanto você tá aí de bobeira, lendo esse texto, tem outra pessoa passando na sua frente na corrida do dinheiro-fama-sucesso-carreira- felicidade. Um ano terminou e outro começa. Então corre, mesmo que seja como uma barata tonta, de um lado pro outro, enquanto o mundo (olha aí ele de novo) gira, nesse universo infinito que a gente não sabe porque está, nem pra que está. Dormi mal porque acordei muito durante a noite. Em algumas acordadas percebi que estava babando litros no travesseiro. Toda a minha produção de saliva escorria boca afora. Levantei 30 minutos depois do planejado, tomei o 1o café e saí andando rápido, mesmo não estando atrasada. Tá com pressa do que? Queria ter ido malhar antes da reunião, não deu. Queria ter escrito antes da reunião, não deu também. Queria ter feito tanta coisa que não fiz nada. Fiquei ali, presa no campo mental. No caminho, em alguns bares e padocas, cervejas e cafés rolando à solta, enquanto na sua casa, você estava: a)babando as Cataras do Iguaçu b)tomando seu cafezinho c)sonhando com a cerveja gelada que você poderia estar tomando na praia nesse calor enquanto se arruma pro trabalho d) nenhuma das opções acima, quem essa menina pensa que é pra saber o que eu estava fazendo Somos todos muito parecidos, apesar de termos certeza de que somos diferentes. Cheguei meia hora antes do horário, mandei outro café pra dentro enquanto esperava. Seu Nespresso é curto ou longo? Podia estar recebendo pra falar NESPRESSO, mas não estou. Achei ruim e não fiz cara feia. Na reunião, outro café. Você prefere pleno ou vibrante? A Nespresso ficou complexa. Fiquei em dúvida se eu estava plena ou vibrante. Tomei o vibrante, pensando no pleno. Mas não queria nem um nem o outro, não pensei, só tomei. No meio da caneca o corpo aponta os primeiros sinais de exagero com enjôo e taquicardia. Queria ser consumidora de café assim como queria ser consumidora do sexo desapegado. Pega, toma, larga e vai embora. Mas não sou nenhum dos dois. Romântica do café e do amor. Sensível a cafeína, câncer em câncer. Pegajosa como a cachoeira de baba no meu travesseiro da noite anterior. E no final do dia, tudo isso é inútil porque a Coréia do Norte vai explodir a bomba e vai tudo pros ares: a palavra que eu não me lembro pra começar o texto, a cerveja que eu aprendi a gostar aos 15 anos, o trabalho que eu corria atrás sem saber porque, o tempo que passa cada vez mais rápido e o café, que me deixou… INTOXICADA. coreiadonorte   Aceita um cafezinho? Yes, please.
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Tudo Bem? Not
26 de novembro de 2015 at 23:30 0
Tudo bem?Não está tudo bem. Mas a gente diz que sim, obrigada por perguntar. Essa noite eu sonhei com meu ex. Sonhei que a gente voltava a ficar juntos. Acordei mexida. Queria mandar uma mensagem pra ele mas não podia. Não pode, porque mandar uma mensagem pro seu ex é manifestar fraqueza e a gente aprende que ser fraco é ruim. Bom é ser da turma dos fortes, bombar na academia, fazer omelete de claras e dar surra nos fracos. Andando na rua, você encontra aquela pessoa que tem no Facebook, mas é que agora você está muito corrido pra parar a sua vida pra ter uma conversa de verdade (em tempos de whatsapp, me manda um áudio). Pra escapar do encontro, você primeiro olha pro lado oposto, fazendo a(o) distraída(o). Pra parecer natural, subitamente a vitrine ao seu lado ficou TÃO INTERESSANTE e ah! o celular deixa eu ver aqui o meu celular, que horas são? será que eu recebi uma nova mensagem muito importante? um novo like? Ó grande celular, salvador dos encontros não desejáveis. Mas agora já era, vocês tentaram tanto não se ver, que se viram. Oi!Tudo bem? Tudo querida(o) e você? - Aqui não sabemos identificar quem está forçando mais um sorriso. Tudo também. mas e aí, como estão as coisas (?!) tudo bem? - Vocês começam a se repetir no desespero. Tudo, tudo sim. E você? Tudo bem também? Tudo... Ah, que bom... - As coisas começam a ficar tensas. Bom, aham.... É, muito bom. - Repetitivos. Ah, legal. Legal né. - Ô... É… (silêncio constrangedor) Bom te ver. - Finalmente alguém tomou coragem! Também. Ufa! E aí cada um volta a correr atrás da sua vida corrida e muito importante. Um momento que poderia ter sido resolvido se nos permitíssemos ser mais fracos e honestos com um "oi, vamos continuar sendo só amigos no Facebook, ok? Não quero saber se tá tudo bem com você, minha vida é muito importante e corrida". Mas não. Nós somos fortes. Nós não mandamos mensagens para ex namorados e nós perdemos nosso tão precioso tempo perguntando se está tudo bem para pessoas que não queremos saber se está tudo bem. Somos fodas. Sorrimos por fora enquanto desabamos por dentro. Yay! Fui lembrando do sonho com o ex em partes, enquanto comia banana com chia e tomava café. Numa mordida, bum, apareceu um trechinho. Entre uma mastigada e um gole de café, outro trecho. Daqueles sonhos nebulosos que vão te dando pequenas dicas e que você sabe que está ali inteiro, pronto pra revelar tudo, mas parece uma criança sapeca brincando de esconde-esconde enquanto te fode todo pra revelar o resto. Eu estou ótima! Me acabei de correr pra ver se passava, não passou. Suada e cheia de areia, quase chorei com meu treinador. Fiz mil abdominais. Continuou lá. Não está tudo bem. Esses dias eu e o ex nos encontramos na rua. Ele dava um passo pra frente e eu dava um passo pra trás, completamente desconfortável. Não somos amigos no Facebook e não trocamos áudios pelo whatsapp. Pra onde será que foi aquela atmosfera relaxada da intimidade de 4 anos de relacionamento? Se mudou pra outro país, entrou no modo avião e não me avisou. Hello stranger, tudo bem? Perguntei sobre tudo o que eu não queria saber.  Como está a faculdade? Não quero saber. Está fazendo psicanálise? Não quero saber. E a reforma do seu quarto, terminou? Foda-se. Cheguei em casa me gabando: encontrei meu ex e tá tudo bem. Fiz a bombada da academia, comendo batata doce com pasta de amendoim de pré treino. Mas a fraqueza também é uma força. A vulnerabilidade chegou como um furacão, descarrilhou meu trem e não deixou nada bem. Enquanto perguntava se estava tudo bem e todas aquelas perguntas superficiais que eu de fato não queria saber, eu tinha tantas outras coisas pra falar. E é isso que fazemos na vida. Queremos dizer várias outras coisas, mas dizemos que está tudo bem. Porque é mais fácil fingir que somos fortes.  Mesmo que depois a gente pague a conta. Mandei uma mensagem pro meu ex e disse tudo aqui o que realmente tinha vontade de dizer. Fui fraca, vulnerável, idiota, o que você preferir. Mas aí ficou tudo bem.
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Gorila do amor
13 de novembro de 2015 at 23:38 0
A Disney faz muito bem o papel de alimentar o conto de fadas no nosso imaginário do amor. A gente espera o homem ideal, o beijo que encaixa, o sexo de cinema e aí vem a vida,  joga uma bomba de merda no seu castelo encantado e faz muito bem o papel de te dar o choque de realidade necessário enquanto te diz lide com isso bitch, ninguém disse que seria fácil. Minhas primeiras experiências amorosas foram como quando aquela criança toda empolgada abria a porta dos desesperados do Sérgio Mallandro na expectativa de ganhar a bicicleta, mas aparecia o gorila – UM TERROR. porta O primeiro beijo aconteceu porque tinha acabado de me mudar de cidade e queria me enturmar com as minhas novas – e únicas amigas – que já tinham dado os seus respectivos first kiss de língua. Pra não ficar de fora da turma, menti que já tinha beijado 3 (ousada) na minha outra cidade, mas na verdade estava muito ocupada subindo árvores, comendo goiaba com bicho e brincando de guerra de cocô de vaca na fazenda (uiiii, que porca ela). Para resolver a situação beijei logo um loirinho que morava no prédio da minha nova – e quase única – amiga. Detalhe: ele já tinha beijado ela também. Na época não tinha whatsapp, então a gente gastava o tempo vivendo, beijando, essas coisas que não fazemos mais porque estamos muito entretidos com os nossos grupos e áudios. Foi tudo planejado. Treinei algumas vezes no espelho da penteadeira da minha mãe antes. Tentava limpar o melado da baba pra não deixar rastros. Experimentei a técnica do gelo e da laranja também. Todas devidamente pesquisadas no “Cadê?” ou na revista teen mais próxima. Rolou no play do prédio daquela amiga. Ele me pediu em namoro no mesmo dia e eu aceitei. Foram 14 dias de namoro que terminou porque o loirinho-malandro beijou uma outra – e quase única – amiga, pedindo ela em namoro já na sequência. Bobo nada. Terminamos por telefone. Fingi que não me importava por estar sendo trocada, da mesma forma que a gente costuma fingir as coisas quando quer se proteger: botando uma muralha da China entre a gente e o mundo e gritando lá do alto tá tudo bem! Mas lembro até hoje dessa ligação. Ali se formava a minha primeira frustração amorosa. Pausa dramática. O namoro deles não durou. Minha amizade com elas também não. Ainda bem, porque amiga que é amiga faz guerra de cocô de vaca comigo (só tem que ser seco. uiiii). Mas a ferida a gente guarda e carrega, como aquele pacote de chiclets esquecido dentro da bolsa.

A primeira vez foi com um cara que já tinha namorado uma ex amiga.

Fui uma vaca, mas estava apaixonada. Ele também foi uma vaca, mas só queria me comer. Eu queria um amor, ele uma gozada. Vai controlar os hormônios de uma adolescente com ovários policísticos e de um adolescente que não pode ver um buraco no chão e já fica "mexido"? Foda. Sofri em todas essas vezes e outras incontáveis. Por me machucar, machucar o outro ou por ser machucada. Aí percebi que poderia continuar repetindo os padrões da frustração ou poderia criar coragem para abrir a bolsa e mexer naquele chiclets esquecido lá no fundo.  O problema é que ele já tinha derretido e melado tudo, então ou eu jogava fora a bolsa ou eu limpava. Como no caso a bolsa sou eu e eu não tem troca, aqui estou, desgrudando pedaços de chiclets até hoje. Assumindo a minha responsabilidade quanto a isso. Todo dia um novo pedaço. Todo dia, tudo de novo, mas sempre diferente. HOJE, como eu posso fazer diferente? Aí a gente abre a porta e pode não ter a bicicleta, mas o Gorila tá ali, sorrindo pra você. bebes-da-parmalat-gorila
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Dizem que faz bem
5 de novembro de 2015 at 18:22 0
Acordo de manhã e tomo um copo d´água com limão pra limpar o organismo. Dizem que faz bem. Se tomar com água quente diz a lenda que ajuda a emagrecer. Mas tenho preguiça de esquentar a água todo dia. Se fosse esquentar seria no microondas, mas aí dizem que o microondas mata toda a vida dos alimentos, inclusive da água. Vi uma menina que regou uma plantinha com água esquentada no microondas (ela esperava a água esfriar antes de regar) e a plantinha morreu em 15 dias. Não quero morrer em 15. Fico com a água natural, por mais que na hora do almoço eu ignore a informação da água assassina e esquente meu prato feliz da vida com a praticidade da vida moderna. Água com limão em jejum é daquelas coisas que tem uma lista gigantesca de benefícios mas quando te perguntam você não sabe dizer nenhum. Tive uma sogra que toda vez que me via bebendo de manhã na casa dela dava uma chiada aguda básica. “Isso é muito ácido. Vai acabar com seu estômago” - Ela se contorcia dentro da sua camisola de florzinha morrendo de medo daquela namorada artista, vegetariana e tatuada levar o seu doce filho pro caminho sem volta da água com limão. Dizem que é do demo.

limao

Eu sorria e dizia que a minha nutri e a ayurveda deveriam saber do que estavam falando. Ou não, vai saber se daqui a mil anos descobrem que a ayuverda e a minha nutri estavam ambas erradas. Não fizeram isso com o ovo? Antes ele era o vilão, agora é o mocinho. Mas enquanto isso não acontece, vou de água com limão todo dia e depois um suco verde pra desintoxicar. Dizem que é bom também. Bato tudo no liquidificador e pronto. Tem quem gosta de coar e tem quem não gosta. Assim como tem quem precisa fazer cocô e tem quem não precisa. Quer dizer, todo mundo precisa fazer cocô, mas tem quem é cu de pato e tem quem não é (e como muitos amigos meus são, eu quero aproveitar o momento pra deixar registrado que eu odeio todos vocês e o metabolismo incrível que vocês têm). Se você é da turma do intestino escorrega, coe e tome. Jogue as fibras solúveis fora, você não precisa delas, é o que dizem por aí. Seu intestino já é um verdadeiro toboágua de parque aquático em dia de sol no feriado.

toboagua

Agora se o seu intestino precisa de um incentivo a mais, as fibras solúveis do suco verde são o empurrão que estava faltando. Tape o nariz encare o patê de grama (venhamos e convenhamos, é uma delícia, mas é um patê de grama) e persista que com o tempo você aprende a gostar ou a suportar. Dizem que uma hora vai. Sou de fases. Às vezes fico com as fibras solúveis, às vezes mando elas pro ralo e às vezes faço a revoltada, não tomo água com limão ou suco verde nenhum e deixo as folhas de couve ficarem amarelas na geladeira porque estou muito ocupada com um sorvete delicioso enquanto me pergunto: "quem precisa de sexo com isso?”. Faz bem também. Dizem.
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Ô lá em casa
23 de outubro de 2015 at 03:06 0
Do lado da porta da minha psicanalista tem uma obra. Na frente da porta da psicanalista, tem uma praça. Eu saio da análise na hora do almoço quando a praça é tomada por pedreiros com fome. Tento fugir,  passo olhando pra baixo pra não ver, mas esse tipo de coisa a gente não precisa ver, sente.

pedreiro

Vocês sabem do que eu estou falando. Aí aparece a máxima: se você passar por uma obra e não for cantada, quer dizer que a coisa está feia. Então tento fazer a coisa ficar feia. Faço cara de esquilo, careta, estufo a barriga. Falo e gesticulo sozinha pra parecer que estou brigando com alguém invisível e parecer louca. Como eu queria passar por uma obra e não ser cantada. Mas coitados dos pedreiros. Aposto que tem muito pedreiro que não mexe com as mulheres que passam. Aposto também que tem pedreiro que fica puto com os amigos pedreiros lambendo a bunda da mulher que acabou de passar com o olhar, não vou generalizar. Mas já generalizando, homens. Dá pra sentir a distância quando aquela cantada nojenta vai acontecer. Não tem muito o que fazer. As vezes dá pra atravessar a rua pra evitar, mas às vezes é o cara do carro ao lado, no trânsito, te devorando e não tem pra onde fugir.

Delícia, gostosa ou aquele gemido malicioso.

O cara que acabou de mandar esses carinhos definitivamente não quer te fazer feliz, porque se quisesse, tentaria de outra forma. Ele sabe que não vai te ganhar assim, pelo contrário, quer única e exclusivamente te desvalorizar e diminuir. Mas pra que? Pra conseguir se sentir menos pior e menos miserável vendo que pode humilhar alguém que não pode se defender. É quase que bater no cara de óculos. Failed. Uma vez estava andando num belo Domingo de sol à tarde e um cara dentro do carro do outro lado da avenida gritou: “ô bocetuda!”. Demorei pra entender que aquilo era pra mim e que ele estava constatando que minha boceta é grande. Fiquei com medo. Depois com raiva. Depois ódio. Aí o ódio virou pena, que virou amor. Por incrível que pareça, virou amor. Entendi que o tamanho do sofrimento dele deve ser gigantesco. Só posso ter amor por alguém assim e torço pra que algum dia ele consiga curar isso. Talvez até com uma bocetuda ao seu lado.

Mas nem sempre foi tudo só amor.

Teve uma época que estava tão revoltada que comecei a xingar. Respondia com um vai tomar no cú, seu nojento, escroto. Não funcionava. Tava batendo no cara de óculos. Não funciona. Queria colocar veneno de rato no almoço dos pedreiros e matar todos de uma vez. Mas aí viriam outros pedreiros. E sabemos que a questão não é sobre os pedreiros. A questão sou eu incomodada e eles incomodados. Um incomodado com a presença do outro, cada um manifestando o incômodo da sua forma. É sobre eu e eles, que precisamos parar de bater no cara de óculos e pedir o óculos emprestado. É sobre enxergar o outro. Voilá. cantadas_de_pedreiro
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Não leia esse texto
16 de outubro de 2015 at 04:17 0
Ler é estúpido. Estou desesperada. Tenho 6 livros na cabeceira da minha cama.Todos comecei a ler e não terminei. Olho pra eles e não quero voltar a ler nenhum. Nota mental: comprar um livro novo. Preciso? Livros são sempre bem vindos. Mas não, eu não preciso. Quer dizer, todos os livros que já comprei eu precisava MUITO na hora que estava na livraria e decidi levar. Nota mental daquele momento mágico na livraria: como pude viver sem ter lido esse livro até hoje? Compro. No máximo 3, mas às vezes 4.    Tenho dois tios que não lêem nada. Nem jornal, nem revista, nem Facebook. São riquíssimos, mas não lêem. Não sei porque fiz essa comparação. Ah sei, mas isso é tema pra um próximo #tudão. Da onde veio essa história de que ler é importante?  Se você é da turma dos meus tios que acha que ler é estúpido, você está certo. Pare de ler esse texto e vá fritar batata frita. batata Chego em casa e começo a ler. Descubro que aquele livro descoberta do ano que eu acabo de comprar não era tão necessário assim. Insisto, não rola, paro, vou fritar batata frita. Pronto, mais um livro sem fim, órfão de mim. Tenho um amigo que termina de ler todos os livros que ele começa. Na boa, pago um pau pra ele. Não no sentido literal, até porque tenho certeza que ele não está disponível pra que eu pague esse pau (a fruta dele é outra), mas no sentido literário sim. Ha! Olha ela, brincando com as palavras literal e literário. Queria ser que nem ele. Ele também brinca com as palavras, mas não gosta de gente que usa a palavra literal(mente) do modo errado. Eu posso não terminar de ler livros que começo, mas uso a palavra literal(mente) do jeito que eu quiser.

E eu também roubo, mas não no sentido literal. Leia e descubra.

Nunca roubei livros, nem nunca roubei um livreiro. Só roubei na Disney, uma experiência traumática que quase acabou com a minha viagem de 15 anos. Quando leio, eu roubo é de mim mesma. Pulo páginas do livro que estou lendo, às vezes capítulos. Esse não, esse não, hummm, chato, esse não também. Posso viver sem saber disso e ah.. olha só, acabou o livro. Acabei de ler o livro. Ladra. Minha mãe diz que eu leio muito. Ela fala como se o tanto que alguém lê fosse diretamente proporcional ao quão genial a pessoa é. É? Tudo que eu leio eu esqueço. É? É, esqueço. Os livros que terminei de ler não me lembro mais do começo, do meio e vou me esquecer em breve do fim.

Os índios são como os meus tios, não lêem.

Não to falando do índio de bermuda, internet, que pega gripe e toma Fanta laranja. Esses já estão fritando batatas. Minha cabeça está a mil. Dizem que os livros vão acabar com a revolução dos eletrônicos. Tem outros que dizem que vai ser que nem o rádio, não vai acabar nunca, mesmo com a tomada das TVs. Tem a galera que ama o cheiro do papel e a sensação de abrir um livro, mas um dia essa galera vai morrer. Meus tios que não lêem não estão nem aí. Estão muito felizes com seus Iphones de última geração e com a nova versão do Candy Crush. Já tomei um litro de chá de camomila frio e não funcionou. Minha mãe está do meu lado, querendo saber sobre o que vou escrever hoje. Sobre muitas coisas, mãe. Escrevo sobre os livros - órfãos da minha cabeceira. Não sei porque leio. Não sei porque você me lê. Minha mãe começa a meditar, fofa. Eu bombo de escrever sobre não ler. Olho pro lado e a cabeceira está me encarando... Num ataque fatal, ela lança os 6 livros - órfãos na minha cara. Eles estão afiados como lâminas e cortam meu rosto. Começo a sangrar, entro em desespero. Minha mãe medita serenamente.

Pulo em cima da cabeceira e começo a estrangula-la.

Os livros órfãos voam em rasantes tentando me cortar mais. Grito: “Ler é estúpido! Meus tios ricos não lêem!”. Descubro tarde demais que a cabeceira é faixa preta no jiu-jitsu. Ela me ataca em 3 golpes precisos e antes que eu possa revidar, me finaliza num mata leão. Não satisfeita, enfia os 6 livros - órfãos na minha boca e me deixa morrer ali, sufocada de mim. Minha mãe sai de meditação e fica impressionada com o tanto que já escrevi. Tá rendendo heim filha? Tá sim, mãe. Tá com fome? Ela traz uma pera. Suculenta e literal. Eu como, tensa, encarando a cabeceira que não me matou dessa vez por piedade.“Na próxima você não me escapa”- disse a cabeceira num ranger de dentes. Tudo o que eu escrevo é estúpido. Deveria fritar batatas e ler menos. Um amigo diria, literalmente.  
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – A sua primeira vez
18 de setembro de 2015 at 02:45 0
Foi no meio da semana, com o ex namorado da ex amiga. Ela achou estranho. Não tinha nada a ver com as cenas de novela ou dos filmes que já tinha assistido. Imaginava um clima diferente, um ritmo diferente. Nada de preliminares. Na época, ela nem sabia que isso era importante. Nem ele. Talvez ele não saiba até hoje. Nada de natural, poético, nada de romântico. Tiraram a roupa, ele colocou a camisinha, forçou um pouquinho e entrou. A camisinha rasgou. Ele não sabia o lado certo. Ela então...O maior contato que tinha tido com uma camisinha tinha sido para fazer balão e jogar pro alto na micareta. Mas ela nunca gostou de micareta nem de balão de camisinha (não entendia qual a graça de deixar a mão toda melada) então é bem provável que essa tenha sido a primeira vez que entrou em contato com uma. Abriu o segundo pacote de três que ele tinha levado. Como é que faz?

Mais parecia que ela estava tentando passar uma fase difícil do videogame.

Como na época em que jogava The Sims todos os dias depois da escola. Achava macetes em fóruns na internet de como ganhar dinheiro rápido e se divertia colocando seu personagem para namorar. Um dia descobriu como tirar a tarja que cobria os corpos nus dos bonecos do jogo. Passou horas abafando o riso vendo o namoro na banheira sem tarja enquanto deveria estar estudando para a prova do dia seguinte. t   A 2a camisinha escapou e ela começou a rir. Só tinham mais uma. Abriram juntos. Qual o lado certo mesmo? Tenta esse. Doeu um pouco e ela ria mais pra ele não perceber que estava muito nervosa. Dois corpos se batendo, desritmados. Dentro da cabeça dela, era tudo uma brincadeira de gente grande. A dor se misturava com cócegas, então ela ria ainda mais enquanto se perguntava “por que as pessoas nos filmes não riem?”. Lembrou da época em que entrava com a melhor amiga num chat online. Ela acha que era do Uol, mas pode ser que fosse do Bol ou IG, já não tem certeza. Iam de bicicleta até o Mc Donalds, compravam no delivery um Mc Cheddar e enquanto comiam seus sanduíches, usavam o codinome gatinha_1234 pra seduzir sabe-se-lá quem estava do outro lado. Entre batatinhas fritas frias e murchas com ketchup, convidavam o parceiro para fazer sexo virtual. Se o cara topava, fechavam a conversa o mais rápido possível e riam muito daquilo tudo. Ela não sabia se deixava os olhos abertos ou fechados. Uma vez viu num filme um personagem criticando o outro por fazer sexo de olho fechado. Melhor deixar aberto. Ele também não sabia pra onde olhar. Não devia ter visto esse filme.

Percebeu que aquele era o primeiro contato com um pinto de verdade.

Procurou a tarja do The Sims. Não precisava mais de macete nem fórum secreto. Ela embaixo e ele em cima. Depois ela em cima e ele embaixo. Descobriu que não gosta de ficar em cima.  Deixa o trabalho pra ele. Ninguém gozou. Talvez ele tenha gozado, mas ela não se lembra. Ela sangrou quase nada e ele não pode balançar o lençol com a mancha de sangue na janela. Na mesma noite se encontraram e fizeram de novo. Ela riu menos, olhos sempre abertos e alguns gemidos para preencher o silêncio. Continuavam sem saber pra que lado desenrolar a camisinha. Mas dessa vez ele levou extra packs, só pra garantir.   Eles não sabiam, mas já tinham aprendido.  camisinha
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Desculpas para não ter uma carreira de sucesso
11 de setembro de 2015 at 15:20 0
Estou há dois dias tentando escrever um texto e nada, absolutamente nada acontece. Fiquei muito tempo encarando o arquivo em branco do Word. Dentro de mim, apenas sono. Vou escrever sobre ter sono. Not. Resolvi relaxar e assistir alguma coisa pra ter uma ideia genial. Dizem os que os maiores insights vem do estado de relaxamento, o famoso ócio criativo. Fui pro Netflix e comecei a assistir uma seleção de palestras do TEDex.  A primeira era de um cara que eu não sei o nome falando sobre desculpas que você dá pra não ter uma carreira de sucesso.

É muito difícil. Isso não dá dinheiro.

Dentre outras desculpas, mas essas foram as que ficaram ecoando na minha cabeça. Lembrei da minha conta no banco esse mês. É MUITO DIFÍCIL . ISSO NÃO DÁ DINHEIRO. Ecos. Ecos do personagem de desenho animado que grita no desfiladeiro. O cara argumenta que enquanto nos enganamos com esses argumentos, construímos uma carreira regular, com um chefe chato, recebendo menos do que gostaríamos, reclamando do trabalho, odiando segunda feira, ficando deprimido no domingo, estragando nosso corpo durante a fase que ele é mais saudável, pra gastar em remédios quando ele estiver no fim da linha e vendendo nossas almas para um sistema que a gente nem sabe se acredita (essa parte não foi ele que disse, fui eu) Fim da palestra, nada de insght. Resolvi dormir. Vai que eu tenho um sonho incrível e acordo com uma super ideia. Durante o sono, o nosso inconsciente troca ideia com o consciente. Amiguinhos. Já durante o dia cada um fica na sua. Tenho certeza que o meu inconsciente tem um monte de cartas na manga de assuntos geniais pra escrever, mas nessa noite ele resolveu se fazer de difícil. Acordei de um sonho perturbado que eu esqueci logo quando abri os olhos. A única coisa que lembro era da presença de um homem. Moreno. Gostoso. Dio, to carente.

Tá difícil. O cara da palestra me encara. Quem disse que seria fácil?

quico3 Preciso fumar um baseado. Tenho brownie de maconha congelado no freezer. Vou comer e não contar pra ninguém que comi, só pra ver o que vai acontecer. Eu já posso ter comido, estou chapada, escrevendo nada com nada e você não sabe. Na verdade isso tudo pode ser apenas um sonho. Tá escrito em todo livro espiritual. Isso é apenas um sonho, baby. Penso no cara da palestra de novo. Se eu fizesse o que eu amo não estaria morrendo pra escrever um texto, precisando de brownie de maconha ou recorrendo a argumento de livros espirituais. Entro em crise. Há algum tempo venho querendo escrever sobre como tudo o que eu escrevo é estúpido. Quero queimar todos os textos numa fogueira e começar um curso de plantação de orquídeas. Mas continuo escrevendo. E sabe por que? Por que recebo quase que diariamente, o retorno de diversas pessoas das mais aleatórias possíveis, que lêem, gostam, se divertem, riem, refletem com os meus textos. Mesmo quando escrevo sobre nada. Como hoje. E mesmo quando uso um texto sobre nada para falar que esse texto é pra você. Dá pra ver o mel escorrendo pela tela ou a seda sendo rasgada. Você pode escolher a imagem que preferir. Fico em dúvida sobre qual imagem o cara da palestra escolheria. quico2 Não sei quem é você, nem o que você faz da vida, mas continue – OU COMECE – a fazer aquilo que te faz bem e tem algum sentido. Seja movido pela paixão, esse é o único caminho para uma carreira de sucesso (isso não é meu, é do cara da palestra). Não tenho dúvidas que existem pessoas que fazem o que não gostam e tenham carreiras de sucesso. Mas já pensou como deve ser ter muito dinheiro, mas ser bizarramente infeliz? Conheço alguns. Adianta? Realização de fazer algo que tenha sentido pra você é maior do que muitos outros objetivos. Ela não paga a conta do aluguel, mas paga a conta do seu bem estar. Uma hora o dinheiro vem, ou não, e aí a gente refaz os planos com aquela sensação do “eu tentei”. Eu continuo. Escrevendo, atuando, comendo, fazendo coco (até que meu intestino diga o contrário). Uma hora tudo muda, tudo acaba e aí fim. Sua conta no banco continua lá, a casa e o carro do ano também, mas você já foi embora. Obrigada cara da palestra. Obrigada você, que continua lendo. kicobeijo
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Tapando o luto do término com a peneira
27 de agosto de 2015 at 14:49 1
Desde que terminei meu último namoro, sai como louca atrás de alguém para tapar o buraco do luto que tomou conta de mim. Dizem que a dor do luto do término é pior que a dor do luto da morte, porque quando terminamos um relacionamento, a pessoa morre apenas pra você. Ela continua lá, bem viva, existindo todos os dias, estudando, trabalhando, pegando o ônibus e sendo feliz – por mais doloroso que seja - sem estar ao seu lado. Ver o meu ex com uma outra pessoa depois de apenas 3 semanas que terminamos também ajudou nesse processo desorientado. Sempre fui muito competitiva. Se ele superou tão rápido, porque eu não posso superar também? Ainda não tinha entendido que ver o seu ex com outra não significa necessariamente que ele superou o término de vocês. hebe-coracao Assumi o discurso “agora estou pronta para abrir um novo ciclo”, enquanto que lá no fundo, estava desesperada pra fazer sumir aquela sensação de desamparo. Tentei de tudo. Tinder, me acabar na noite e até andar na rua procurando um novo amor (acredite, isso aconteceu). A cada novo encontro, o primeiro pensamento era “será que esse é o meu novo amor?”. Já começava a criar diversas situações na minha cabeça sobre como seria se a gente namorasse ao invés de estar ali, presente, descobrindo e experimentando as mil possibilidades que podem se abrir – ou não - num encontro.

Todas as tentativas foram frustradas, porque na verdade, eu não estava pronta porcaria nenhuma pra um novo ciclo.

Ainda estava de luto e não respeitei esse momento. Tentei ignorar, tapando ele com tudo o que era capaz. Mas sabemos que por mais que a gente esconda a poeira debaixo do tapete, ela continua lá, muito paciente, sem pressa nenhuma, só esperando chegar o dia em que você vai lidar com ela. Nas minhas aventuras por um novo amor, esbarrei com outras pessoas exatamente na mesma situação que eu e é claro que a coisa não funcionava. Era tudo muito intenso. Um tentando tapar o buraco emocional do outro, pulando todas as etapas numa ansiedade sufocadora que assim como começava, acabava. Mais rápido que fogo de palha. dilma-coracao

Em Outubro vai fazer um ano que terminei meu namoro e hoje não tenho mais vergonha em dizer que sim, ainda estou nas reminiscências de um luto.

Logo quando terminou, cheguei a pesquisar na internet quanto tempo que essa sensação bizarra poderia durar. Achei vários artigos que davam prazos diferentes de 2 meses a dois anos. Procurava um dado científico pra dar um prazo, um fim, para aquilo que não tem resposta certa. O tempo necessário é o meu, o seu e é como bunda, cada um tem a sua. Só você vai poder descobrir o tipo de experiências que precisa passar para cicatrizar e aliviar tudo isso. Dói né? Faz parte. xuxa-coracao O meu último acontecimento intenso e frustrado me mostrou uma coisa muito boa. Desde que me tornei solteira, em nenhum momento aprendi a me amar, pura e simplesmente, no sentido mais piegas mesmo. Amar minha cia, ser independente, cuidar de mim. Me vi despedaçada, tentando achar alguém e colocar toda a responsabilidade nesse outro pra me fazer feliz. Se ainda não tinha cuidado do meu jardim, como poderia querer atrair as borboletas? Resolvi arregaçar as mangas e focar em mim. Isso não quer dizer que eu não tenha recaídas. Quando menos perceber posso muito bem estar novamente carente e desesperada colocando a responsabilidade do meu bem estar no outro. Mas agora, nesse exato momento o foco sou eu. As borboletas eu já nem penso. Se vierem, venham sem pressa. To gostando cada vez mais desse jardim que está florescendo aqui dentro. silvio-santos-coracao
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Sabedoria do estômago
22 de agosto de 2015 at 01:58 0
A previsão era de um amanhecer a 5 gélidos graus. Fui pro Sul tirar alguns dias de férias porque sou ryca, bem sucedida e estou com a vida ganha, com filhos crescidos, formados nas melhores faculdades do leste europeu e tomo café da manhã de margarina com meu marido Ken (ele largou a a Barbie pra ficar comigo) e meu cachorro Bud, um golden que além de bonito, é inteligente, não solta pelo e não faz coco. Sou do time que não vê sentido em acordar, viver e distribuir sorrisos pra passar frio. Posso morrer de calor, suada e com sovaco pizza aromático, mas pelo menos morro feliz. Todo o meu respeito e admiração pra quem curte o frio. Só que nesse dia, por uma insanidade qualquer, inventei de acordar cedo, mesmo com a combinação chuva-frio-chuva bombando lá fora, enquanto do outro lado do ringue tínhamos uma cama deliciosa, quentinha, com edredom fofo e travesseiros de baunilha. Céus! Por que raios eu coloquei o despertador pra 7h02 e a soneca pra 7h11(perceba, adoro números quebrados)? Por que minha cabeça diz que eu devo ir pra aula de yoga mesmo eu saindo de casa atrasada já desconfiando que não ia chegar a tempo? E não cheguei. Desde que nasci, minha avó, pai, mãe e a minha babá Nena, sempre me encheram com diversos conselhos, dizendo o que pode e o que não pode, mas ninguém nunca disse pra eu seguir minha intuição. Isso a gente descobre na raça e no erro mesmo. Agora, se eu pudesse dar um conselho pra vocês, seria escute essa god damn vozinha na sua cabeça quando ela sopra um pensamento.Talvez esse conselho seria até melhor:

se você tem uma dúvida, pergunte ao seu estômago.

Ele não te deixará dúvidas, trust me. É incrível a nossa tendência de ignorar essa vozinha (ou a sabedoria do estômago, como preferirem) e ir em frente. Naquela manhã tudo apontou pro outro lado, mas fui em frente e depois de 1h30 de engarrafamento não só não consegui chegar na aula, mas fui torturada pelo meu útero que resolveu fazer dança contemporânea dentro de mim pro ciclo descer. Foi aí que eu me peguei pensando, até que ponto eu de fato queria estar ali? Muitas vezes percebo que estou fazendo algo que não sei nem se quero fazer, mas faço porque acho que devo, quero agradar, ou porque julgo certo, justo. Poucas vezes percebo e tenho escuta para o que de fato quero. Geralmente sou engolida pela ansiedade, desesperada, desconectada e PRÉ-ocupada com um futuro que não existe. Tenho certeza que Freud explica isso com um conceito complexo em torno de uma pulsão sexual. Eu explico com falta de conversa com o estômago. Quando damos ouvido pra nossa intuição, nós conectamos com nossas emoções e diminuímos as chances de nos pegar no meio de uma situação onde não queremos estar com a pergunta "O QUE É QUE EU ESTOU FAZENDO AQUI?" e nos tornarmos responsáveis por aquilo que acontece em nossa vida, acabando ou diminuindo com os sintomas da síndrome de vítima. Por que logo comigo? Ai de mim! Isso tudo porque eu poderia ter dormido mais ou, se de fato quisesse ir pra aula, ter me organizado pra sair mais cedo. Mas como não tomei uma decisão, ignorei minha intuição e acabei não fazendo nem um nem outro. Agora, pra mostrar que aprendi minha lição, vou escutar meu estômago e comer um sorvete italiano daqueles bem delicia de chocolate amargo que está me esperando no congelador. Final feliz.  
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