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Tudão

#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Desculpe se eu fui um babaca
21 de janeiro de 2016 at 21:10 1
Recebi uma mensagem inusitada: “Oi, lembra de mim?” A gente teve um relacionamento pocket, mas intenso, com aproveitamento integral e de quebra, um dia dos namorados fofinho de mãos dadas, assistindo filme. Claro que eu lembro de você. A gente não apaga as pessoas da cabeça da mesma forma que apagamos uma conversa do Whatsapp. Claro que eu lembro de você. Lembro de como você primeiro ficou distante, depois estranho e por último desapareceu, sem dizer nada. Claro que eu lembro de você. Entrei no seu Facebook pra mostrar uma foto sua pra minha prima e descobri que você tinha me deletado. Como esquecer? Nosso primeiro encontro foi incrível. Ele demorou dois dias pra me beijar e meus amigos tinham certeza que o menino era gay pela demora. Eu tinha certeza que ele só tinha um ritmo mais devagar e estava adorando aquele jeito old school de conhecer alguém. Foi tudo muito legal, até que ele sumiu. Para descobrir como fazer parte do clube do babaca, consultei um dos maiores babacas do mundo, assumido de carteirinha (e um ótimo amigo, por sinal):
  • Aja como se ela(e) fosse a pessoa mais especial do mundo ou o amor da sua vida.
  • Seja perfeito, amoroso, carinhoso e depois suma, com um silêncio ou uma desculpa qualquer.
  • Ficar ocupado para sempre também funciona.
Damn. Eles são bons no que fazem. E aí você se sente um(a) idiota por ter acreditado naquilo tudo. Não que aquilo tudo não tenha sido verdade. Foi verdadeiro pra você que se entregou e acredite, foi verdadeiro pro babaca também. Ele só não dá conta de sair desse ciclo vicioso pegou, iludiu, largou. É pior que droga. Quando o babaca some, termina do nada ou te corta de forma grosseira, ele está garantindo sair por cima, evitando ser rejeitado. Ele sente que ganhou aquele jogo (que jogo?).

Ha! Te rejeitei. Agora você não pode me rejeitar mais. Bilú-bilú-tetéia.

O babaca tem medo de se envolver, de se comprometer, de criar intimidade e correr riscos, mostrando todas aquelas partes que menos gostamos de nós mesmos. Aquele seu lado grosseiro que só a sua família conhece, a remela no olho e o bafo do amanhecer que não são nada românticos. O babaca é aquele covarde que se agarra ao mastro quando o navio está afundando só por medo de se jogar no oceano (vai que o oceano rejeita ele também). Fiquei bem mal quando esse babaca sumiu. Me senti um lixo e me culpei, achando razões em mim pra ter sido descartada. Mas depois passou. Se você por algum motivo está sofrendo por um babaca alheio, permita-se. Sinta a falta, viva o vazio. Xingue o babaca (é ótimo!). Sofra por você e por ele. O babaca só abandona porque ele foi abandonado há muito tempo. Aí ele sai por aí, atrás de alguém que preencha esse buraco que o assola. Quando a sua dor passar, o babaca vai estar lá, como uma criança que perdeu a mãe no shopping, buscando alguém que supra o que ele não encontra dentro dele: amor. Mas não se engane, todos somos babacas. Em maior ou menor nível, queremos ganhar o jogo (que jogo?), sair por cima e nos sentirmos melhores por isso. Já não respondi aquela pessoa que não estava tão afim, já mostrei pros meus amigos como fulaninho queria tanto e eu não estava nem aí. Me senti melhor por isso, fodona, uma grande babaca. A diferença é o quanto você está apegada(o) a esse jogo (?!?!). Alguns já desistem da prática de primeira, outros demoram um pouco mais. Os viciados ficam lá, batendo cabeça. Descobri que o meu babaca sumiu porque voltou com a ex namorada e não sabia como dizer isso. Meses depois, ele veio se desculpar e hoje eu dou aula de yoga pra ele. Salve um babaca você também. > Já salvou um babaca? Conta pra gente a sua história com a #salveumbabaca     beach-yoga  
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Um cafezinho vibrante
7 de janeiro de 2016 at 18:20 34
Começo de ano, começo de mês, começo de semana, começo de dia. Isso me alivia e me desespera. Tudo de novo. Infecção, não. Infestação, também não. Fugiu a palavra. Como é que chama quando você toma muito café e passa mal? Eu estou com “lálálá” de caféina. Poderia ser convulsão de cafeína, mas não é. Pior do que estar assim, é tentar lembrar uma palavra pra começar seu texto com a mente acelerada e ela estar na ponta da língua mas não sair. Acho que começa com I de índio, indiana ou de impressionante, por que eu bebi tanto café? Pra acordar. Acordei com sono. Nunca gostei de café, mas comecei a tomar nessas situações que precisava viver a vida, ser produtiva, trabalhar quando na verdade queria dormir. Da mesma forma que aprendi a tomar cerveja. Tinha 15 anos e os churrascos só tinham cerveja e linguiça - era o que dava pra bancar com o orçamento da mesada. Tomava tapando o nariz num gole só, até que um dia virou bom. O café continua ruim. Dormi mal, mas o mundo não vai esperar eu dormir mais. Talvez seja só a minha cabeça que argumente isso. O mundo somos quem? Os outros? Os outros não estão nem aí se eu dormir mais. Cada um está muito preocupado com o seu próprio umbigo ou com o seu próprio café. Mas nós dizemos que o mundo não espera, como se o mundo fosse uma pessoa irritada batendo na porta, dizendo que você está atrasado. Por que não acordou mais cedo? Por que não trabalhou mais? Vai trabalhar vagabundo! Enquanto você tá aí de bobeira, lendo esse texto, tem outra pessoa passando na sua frente na corrida do dinheiro-fama-sucesso-carreira- felicidade. Um ano terminou e outro começa. Então corre, mesmo que seja como uma barata tonta, de um lado pro outro, enquanto o mundo (olha aí ele de novo) gira, nesse universo infinito que a gente não sabe porque está, nem pra que está. Dormi mal porque acordei muito durante a noite. Em algumas acordadas percebi que estava babando litros no travesseiro. Toda a minha produção de saliva escorria boca afora. Levantei 30 minutos depois do planejado, tomei o 1o café e saí andando rápido, mesmo não estando atrasada. Tá com pressa do que? Queria ter ido malhar antes da reunião, não deu. Queria ter escrito antes da reunião, não deu também. Queria ter feito tanta coisa que não fiz nada. Fiquei ali, presa no campo mental. No caminho, em alguns bares e padocas, cervejas e cafés rolando à solta, enquanto na sua casa, você estava: a)babando as Cataras do Iguaçu b)tomando seu cafezinho c)sonhando com a cerveja gelada que você poderia estar tomando na praia nesse calor enquanto se arruma pro trabalho d) nenhuma das opções acima, quem essa menina pensa que é pra saber o que eu estava fazendo Somos todos muito parecidos, apesar de termos certeza de que somos diferentes. Cheguei meia hora antes do horário, mandei outro café pra dentro enquanto esperava. Seu Nespresso é curto ou longo? Podia estar recebendo pra falar NESPRESSO, mas não estou. Achei ruim e não fiz cara feia. Na reunião, outro café. Você prefere pleno ou vibrante? A Nespresso ficou complexa. Fiquei em dúvida se eu estava plena ou vibrante. Tomei o vibrante, pensando no pleno. Mas não queria nem um nem o outro, não pensei, só tomei. No meio da caneca o corpo aponta os primeiros sinais de exagero com enjôo e taquicardia. Queria ser consumidora de café assim como queria ser consumidora do sexo desapegado. Pega, toma, larga e vai embora. Mas não sou nenhum dos dois. Romântica do café e do amor. Sensível a cafeína, câncer em câncer. Pegajosa como a cachoeira de baba no meu travesseiro da noite anterior. E no final do dia, tudo isso é inútil porque a Coréia do Norte vai explodir a bomba e vai tudo pros ares: a palavra que eu não me lembro pra começar o texto, a cerveja que eu aprendi a gostar aos 15 anos, o trabalho que eu corria atrás sem saber porque, o tempo que passa cada vez mais rápido e o café, que me deixou… INTOXICADA. coreiadonorte   Aceita um cafezinho? Yes, please.
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Tudo Bem? Not
26 de novembro de 2015 at 23:30 0
Tudo bem?Não está tudo bem. Mas a gente diz que sim, obrigada por perguntar. Essa noite eu sonhei com meu ex. Sonhei que a gente voltava a ficar juntos. Acordei mexida. Queria mandar uma mensagem pra ele mas não podia. Não pode, porque mandar uma mensagem pro seu ex é manifestar fraqueza e a gente aprende que ser fraco é ruim. Bom é ser da turma dos fortes, bombar na academia, fazer omelete de claras e dar surra nos fracos. Andando na rua, você encontra aquela pessoa que tem no Facebook, mas é que agora você está muito corrido pra parar a sua vida pra ter uma conversa de verdade (em tempos de whatsapp, me manda um áudio). Pra escapar do encontro, você primeiro olha pro lado oposto, fazendo a(o) distraída(o). Pra parecer natural, subitamente a vitrine ao seu lado ficou TÃO INTERESSANTE e ah! o celular deixa eu ver aqui o meu celular, que horas são? será que eu recebi uma nova mensagem muito importante? um novo like? Ó grande celular, salvador dos encontros não desejáveis. Mas agora já era, vocês tentaram tanto não se ver, que se viram. Oi!Tudo bem? Tudo querida(o) e você? - Aqui não sabemos identificar quem está forçando mais um sorriso. Tudo também. mas e aí, como estão as coisas (?!) tudo bem? - Vocês começam a se repetir no desespero. Tudo, tudo sim. E você? Tudo bem também? Tudo... Ah, que bom... - As coisas começam a ficar tensas. Bom, aham.... É, muito bom. - Repetitivos. Ah, legal. Legal né. - Ô... É… (silêncio constrangedor) Bom te ver. - Finalmente alguém tomou coragem! Também. Ufa! E aí cada um volta a correr atrás da sua vida corrida e muito importante. Um momento que poderia ter sido resolvido se nos permitíssemos ser mais fracos e honestos com um "oi, vamos continuar sendo só amigos no Facebook, ok? Não quero saber se tá tudo bem com você, minha vida é muito importante e corrida". Mas não. Nós somos fortes. Nós não mandamos mensagens para ex namorados e nós perdemos nosso tão precioso tempo perguntando se está tudo bem para pessoas que não queremos saber se está tudo bem. Somos fodas. Sorrimos por fora enquanto desabamos por dentro. Yay! Fui lembrando do sonho com o ex em partes, enquanto comia banana com chia e tomava café. Numa mordida, bum, apareceu um trechinho. Entre uma mastigada e um gole de café, outro trecho. Daqueles sonhos nebulosos que vão te dando pequenas dicas e que você sabe que está ali inteiro, pronto pra revelar tudo, mas parece uma criança sapeca brincando de esconde-esconde enquanto te fode todo pra revelar o resto. Eu estou ótima! Me acabei de correr pra ver se passava, não passou. Suada e cheia de areia, quase chorei com meu treinador. Fiz mil abdominais. Continuou lá. Não está tudo bem. Esses dias eu e o ex nos encontramos na rua. Ele dava um passo pra frente e eu dava um passo pra trás, completamente desconfortável. Não somos amigos no Facebook e não trocamos áudios pelo whatsapp. Pra onde será que foi aquela atmosfera relaxada da intimidade de 4 anos de relacionamento? Se mudou pra outro país, entrou no modo avião e não me avisou. Hello stranger, tudo bem? Perguntei sobre tudo o que eu não queria saber.  Como está a faculdade? Não quero saber. Está fazendo psicanálise? Não quero saber. E a reforma do seu quarto, terminou? Foda-se. Cheguei em casa me gabando: encontrei meu ex e tá tudo bem. Fiz a bombada da academia, comendo batata doce com pasta de amendoim de pré treino. Mas a fraqueza também é uma força. A vulnerabilidade chegou como um furacão, descarrilhou meu trem e não deixou nada bem. Enquanto perguntava se estava tudo bem e todas aquelas perguntas superficiais que eu de fato não queria saber, eu tinha tantas outras coisas pra falar. E é isso que fazemos na vida. Queremos dizer várias outras coisas, mas dizemos que está tudo bem. Porque é mais fácil fingir que somos fortes.  Mesmo que depois a gente pague a conta. Mandei uma mensagem pro meu ex e disse tudo aqui o que realmente tinha vontade de dizer. Fui fraca, vulnerável, idiota, o que você preferir. Mas aí ficou tudo bem.
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Gorila do amor
13 de novembro de 2015 at 23:38 0
A Disney faz muito bem o papel de alimentar o conto de fadas no nosso imaginário do amor. A gente espera o homem ideal, o beijo que encaixa, o sexo de cinema e aí vem a vida,  joga uma bomba de merda no seu castelo encantado e faz muito bem o papel de te dar o choque de realidade necessário enquanto te diz lide com isso bitch, ninguém disse que seria fácil. Minhas primeiras experiências amorosas foram como quando aquela criança toda empolgada abria a porta dos desesperados do Sérgio Mallandro na expectativa de ganhar a bicicleta, mas aparecia o gorila – UM TERROR. porta O primeiro beijo aconteceu porque tinha acabado de me mudar de cidade e queria me enturmar com as minhas novas – e únicas amigas – que já tinham dado os seus respectivos first kiss de língua. Pra não ficar de fora da turma, menti que já tinha beijado 3 (ousada) na minha outra cidade, mas na verdade estava muito ocupada subindo árvores, comendo goiaba com bicho e brincando de guerra de cocô de vaca na fazenda (uiiii, que porca ela). Para resolver a situação beijei logo um loirinho que morava no prédio da minha nova – e quase única – amiga. Detalhe: ele já tinha beijado ela também. Na época não tinha whatsapp, então a gente gastava o tempo vivendo, beijando, essas coisas que não fazemos mais porque estamos muito entretidos com os nossos grupos e áudios. Foi tudo planejado. Treinei algumas vezes no espelho da penteadeira da minha mãe antes. Tentava limpar o melado da baba pra não deixar rastros. Experimentei a técnica do gelo e da laranja também. Todas devidamente pesquisadas no “Cadê?” ou na revista teen mais próxima. Rolou no play do prédio daquela amiga. Ele me pediu em namoro no mesmo dia e eu aceitei. Foram 14 dias de namoro que terminou porque o loirinho-malandro beijou uma outra – e quase única – amiga, pedindo ela em namoro já na sequência. Bobo nada. Terminamos por telefone. Fingi que não me importava por estar sendo trocada, da mesma forma que a gente costuma fingir as coisas quando quer se proteger: botando uma muralha da China entre a gente e o mundo e gritando lá do alto tá tudo bem! Mas lembro até hoje dessa ligação. Ali se formava a minha primeira frustração amorosa. Pausa dramática. O namoro deles não durou. Minha amizade com elas também não. Ainda bem, porque amiga que é amiga faz guerra de cocô de vaca comigo (só tem que ser seco. uiiii). Mas a ferida a gente guarda e carrega, como aquele pacote de chiclets esquecido dentro da bolsa.

A primeira vez foi com um cara que já tinha namorado uma ex amiga.

Fui uma vaca, mas estava apaixonada. Ele também foi uma vaca, mas só queria me comer. Eu queria um amor, ele uma gozada. Vai controlar os hormônios de uma adolescente com ovários policísticos e de um adolescente que não pode ver um buraco no chão e já fica "mexido"? Foda. Sofri em todas essas vezes e outras incontáveis. Por me machucar, machucar o outro ou por ser machucada. Aí percebi que poderia continuar repetindo os padrões da frustração ou poderia criar coragem para abrir a bolsa e mexer naquele chiclets esquecido lá no fundo.  O problema é que ele já tinha derretido e melado tudo, então ou eu jogava fora a bolsa ou eu limpava. Como no caso a bolsa sou eu e eu não tem troca, aqui estou, desgrudando pedaços de chiclets até hoje. Assumindo a minha responsabilidade quanto a isso. Todo dia um novo pedaço. Todo dia, tudo de novo, mas sempre diferente. HOJE, como eu posso fazer diferente? Aí a gente abre a porta e pode não ter a bicicleta, mas o Gorila tá ali, sorrindo pra você. bebes-da-parmalat-gorila
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Ô lá em casa
23 de outubro de 2015 at 03:06 0
Do lado da porta da minha psicanalista tem uma obra. Na frente da porta da psicanalista, tem uma praça. Eu saio da análise na hora do almoço quando a praça é tomada por pedreiros com fome. Tento fugir,  passo olhando pra baixo pra não ver, mas esse tipo de coisa a gente não precisa ver, sente.

pedreiro

Vocês sabem do que eu estou falando. Aí aparece a máxima: se você passar por uma obra e não for cantada, quer dizer que a coisa está feia. Então tento fazer a coisa ficar feia. Faço cara de esquilo, careta, estufo a barriga. Falo e gesticulo sozinha pra parecer que estou brigando com alguém invisível e parecer louca. Como eu queria passar por uma obra e não ser cantada. Mas coitados dos pedreiros. Aposto que tem muito pedreiro que não mexe com as mulheres que passam. Aposto também que tem pedreiro que fica puto com os amigos pedreiros lambendo a bunda da mulher que acabou de passar com o olhar, não vou generalizar. Mas já generalizando, homens. Dá pra sentir a distância quando aquela cantada nojenta vai acontecer. Não tem muito o que fazer. As vezes dá pra atravessar a rua pra evitar, mas às vezes é o cara do carro ao lado, no trânsito, te devorando e não tem pra onde fugir.

Delícia, gostosa ou aquele gemido malicioso.

O cara que acabou de mandar esses carinhos definitivamente não quer te fazer feliz, porque se quisesse, tentaria de outra forma. Ele sabe que não vai te ganhar assim, pelo contrário, quer única e exclusivamente te desvalorizar e diminuir. Mas pra que? Pra conseguir se sentir menos pior e menos miserável vendo que pode humilhar alguém que não pode se defender. É quase que bater no cara de óculos. Failed. Uma vez estava andando num belo Domingo de sol à tarde e um cara dentro do carro do outro lado da avenida gritou: “ô bocetuda!”. Demorei pra entender que aquilo era pra mim e que ele estava constatando que minha boceta é grande. Fiquei com medo. Depois com raiva. Depois ódio. Aí o ódio virou pena, que virou amor. Por incrível que pareça, virou amor. Entendi que o tamanho do sofrimento dele deve ser gigantesco. Só posso ter amor por alguém assim e torço pra que algum dia ele consiga curar isso. Talvez até com uma bocetuda ao seu lado.

Mas nem sempre foi tudo só amor.

Teve uma época que estava tão revoltada que comecei a xingar. Respondia com um vai tomar no cú, seu nojento, escroto. Não funcionava. Tava batendo no cara de óculos. Não funciona. Queria colocar veneno de rato no almoço dos pedreiros e matar todos de uma vez. Mas aí viriam outros pedreiros. E sabemos que a questão não é sobre os pedreiros. A questão sou eu incomodada e eles incomodados. Um incomodado com a presença do outro, cada um manifestando o incômodo da sua forma. É sobre eu e eles, que precisamos parar de bater no cara de óculos e pedir o óculos emprestado. É sobre enxergar o outro. Voilá. cantadas_de_pedreiro
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Vamos falar de boceta?
25 de setembro de 2015 at 02:50 0
Vamos falar de boceta? Tem gente que acha agressivo esse nome. Então vamos falar de vagina? Esquisito esse. Científico demais.

Serve falar de perereca?

Xoxota? Tem algum nome para o órgão sexual ou para aquela parte do corpo que você pode achar guardado entre as pernas de toda mulher que seja fofo ou agradável? Por que temos tanto medo de falar de boceta? Tabu. Lacan confirma "o sexo da mulher é impossível de representar, dizer e nomear”. Esses dias estava lendo um texto sobre o quadro A Origem do Mundo. Para quem não conhecia, agora conhece: a-origem-do-mundo

Bu!

A autora do texto contava sobre o surto que a empregada dela teve depois que viu o quadro pendurado na parede. Segundo ela, a empregada Emília gritava: "É o fim do mundo! Que horror! Coisa do demônio!"  Fico me perguntando se a Emília tinha ideia que a coisa do demônio habita o meio das suas pernas. Infelizmente a resposta talvez seja não. Uma Emília que cresceu num ambiente onde levaria um tapa do pai na boca - ou pior, da mãe - se falasse em casa a palavra boceta. "Deus tá vendo minha filha". E provavelmente, ela e muitas outras mulheres acham que a coisa do demo que ali habita serve só pra fazer xixi e para ser metida (nesse sentido que você pensou mesmo). "Olha que Deus tá vendo". Há alguns anos atrás criei um grupo artístico, o Coletivo Mastruço, para pesquisar temas sobre a intimidade. Nossa primeira peça aconteceu dentro de um banheiro feminino e a cena final era uma conversa entre bocetas. Nos ensaios descobrimos no nosso corpo como seria se as nossas bocetas falassem. Depois de tantos anos esquecida, a minha querida tinha muito o que falar, com razão. Foi a primeira vez que de fato enxerguei minha buça (como carinhosamente a chamo hoje em dia). Um dia peguei um espelho e fiquei ali olhando. Um novo mundo que se abria. Meu corpo lindo e amado. Melhor que qualquer aula de ciências. Um acontecimento cheio de amor e poesia pela minha querida bu. Antes eu achava que era buceta. Depois desse trabalho, descobri que é bo.

Hoje falo boceta como falo bom dia.

Cotidiano. Converso sobre boceta assim como converso sobre a previsão do tempo. O peso e o preconceito está em você aí do outro lado me julgando por falar tantas vezes boceta num só texto. “Que pervertida essa menina. Não se dá o valor”. Boceta, boceta, boceta. O texto é meu e eu falo o quanto eu quiser. Está na hora de tirarmos as bocetas dos armários, limpar a poeira e botar elas para voar. Emílias, descubram suas bocetas esquecidas. Deixem que elas falem. Homens, incentivem suas Emílias a falarem sobre bocetas assim como vocês falam de pintos. Tenho certeza que você vai descobrir uma mulher muito mais empoderada e interessante ao seu lado. Autoconhecimento, babe. E depois dessa conversa de bocetas, aproveito pra avisar que o meu coletivo acaba de lançar um novo projeto. Uma festa que é uma peça e você pode participar dessa viagem sendo nosso apoiador. Nós (eu, minha bu e todas as outras bus do mundo) ficaremos muito felizes com o seu apoio. Clica aqui e saiba mais: zíper A FESTA  
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Maratonistas do Cotidiano
4 de julho de 2015 at 19:18 34
Quando deixamos de fazer as coisas que temos que fazer.
Toda quinta feira posto um texto no #TudãoDaLola. Mas essa quinta passou sem Tudão, sexta também. O texto só veio no sábado. Na quinta à noite assim que deitei na cama lembrei "esqueci de escrever o tudão, merda". Fechei os olhos e dormi tranquila com o pensamento "tive um dia muito corrido hoje, amanhã eu escrevo”. Escrever o Tudão. Essa era uma entre as várias notas na minha agenda de quinta-feira. O dia estava entupido de coisa e eu não sabia como iria encaixar uma sentada pra escrever. Também não tinha ideia do tema. Maioridade penal? Divulgar o Acabou o Amor ? A melhor websérie sobre o amor e que por acaso eu atuo e roteirizo? Clica aqui: www.youtube.com/acabouoamor . Na dúvida e na falta de tempo, resolvi deixar pra depois, quando conseguisse uma janela pra respirar no dia. Acontece que metade dos meus compromissos foram cancelados e mesmo assim a tal janela pra escrever não apareceu, mas de forma mágica nessa mesma quinta consegui correr na lagoa, ficar duas horas numa loja de roupas, comprar livros de pesquisa e fechar  a noite fazendo sopa de couve flor com beterraba assada e tomilho. Sem contar as mil vezes que entrei no Facebook pra me sentir amada. Agora, quando alguém aparecia pra perguntar como eu estava a resposta vinha rápida e certeira: na correria. E essa é a sensação. De que apesar de estar fazendo apenas as coisas que escolho fazer, estava sempre sem tempo pra nada. Falta tempo pra escrever, mas pra fazer sopa, não.

Tempo a gente tem pro que quer ter.

Quando alguém me diz, queria tanto te ver, mas não tenho tempo, entendo com todo o amor da seguinte forma: quero te ver, mas no momento tem outras coisas que eu quero fazer mais. Ai na ordem de prioridade, você vem depois. E não fico brava por isso. Nem bato o pé cobrando ou pedindo atenção, apenas respeito. Se essa pessoa fosse minha prioridade eu ja teria dado um jeito de vê-la. Eu a adoro, mas ela não está nas minhas prioridades agora e isso faz parte. Também não posso forçar o outro a me colocar na sua lista de prioridades. E isso também faz parte. Brigar pela atenção e o tempo do outro é uma guerra perdida. Quando você recebe uma mensagem de alguém que está apaixonada, responde na mesma hora. Só vai demorar se quiser usar isso como estratégia não estou tão aí pra você, então demoro pra te responder. Caso contrário, a resposta é imediata. Agora me diz quanto tempo você demora pra responder aquele grupo de família com seus tios mandando imagens, piadas e vídeos aleatórios? Para eles, estamos sempre corridos e sem tempo. Maratonistas do cotidiano. correria Quando aquele gato te chama para sair, você dá um jeito de cancelar tudo e vai. Quando você quer muito comprar aquilo, faz por onde. Quando quer conseguir aquela coisa, também. Mesmo que a sua falta de tempo seja justificada pelo trabalho, essa é uma escolha. A falta de tempo nunca é o trabalho. A falta de tempo está em você, que escolheu essa profissão, essa cidade, esse cargo ou esses filhos e estilo de vida pra sustentar e trabalhar muito. Maicon, pode brigar comigo. Eu tive todo o tempo do mundo para escrever o texto da semana, mas escolhi fazer outras coisas que por algum motivo me pareciam mais importantes-melhores-interessantes - mesmo que agora eu não perceba a importância de lavar roupa de cama e assar banana com mel no microondas numa manhã de sábado. Eu amo escrever, mas naquele momento escrever parecia menos urgente do que assar banana. E é assim na vida. Eu amo você, mas hoje não quero te ver. Amanhã pode ser que sim, vai depender do meu tempo ou da minha vontade de ter tempo. Tempo a gente tem. E é igual pra todo mundo. Quem escolhe o que vai fazer com ele. Somos nozes. E as arvre...
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