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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Desculpe se eu fui um babaca
21 de janeiro de 2016 at 21:10 1
Recebi uma mensagem inusitada: “Oi, lembra de mim?” A gente teve um relacionamento pocket, mas intenso, com aproveitamento integral e de quebra, um dia dos namorados fofinho de mãos dadas, assistindo filme. Claro que eu lembro de você. A gente não apaga as pessoas da cabeça da mesma forma que apagamos uma conversa do Whatsapp. Claro que eu lembro de você. Lembro de como você primeiro ficou distante, depois estranho e por último desapareceu, sem dizer nada. Claro que eu lembro de você. Entrei no seu Facebook pra mostrar uma foto sua pra minha prima e descobri que você tinha me deletado. Como esquecer? Nosso primeiro encontro foi incrível. Ele demorou dois dias pra me beijar e meus amigos tinham certeza que o menino era gay pela demora. Eu tinha certeza que ele só tinha um ritmo mais devagar e estava adorando aquele jeito old school de conhecer alguém. Foi tudo muito legal, até que ele sumiu. Para descobrir como fazer parte do clube do babaca, consultei um dos maiores babacas do mundo, assumido de carteirinha (e um ótimo amigo, por sinal):
  • Aja como se ela(e) fosse a pessoa mais especial do mundo ou o amor da sua vida.
  • Seja perfeito, amoroso, carinhoso e depois suma, com um silêncio ou uma desculpa qualquer.
  • Ficar ocupado para sempre também funciona.
Damn. Eles são bons no que fazem. E aí você se sente um(a) idiota por ter acreditado naquilo tudo. Não que aquilo tudo não tenha sido verdade. Foi verdadeiro pra você que se entregou e acredite, foi verdadeiro pro babaca também. Ele só não dá conta de sair desse ciclo vicioso pegou, iludiu, largou. É pior que droga. Quando o babaca some, termina do nada ou te corta de forma grosseira, ele está garantindo sair por cima, evitando ser rejeitado. Ele sente que ganhou aquele jogo (que jogo?).

Ha! Te rejeitei. Agora você não pode me rejeitar mais. Bilú-bilú-tetéia.

O babaca tem medo de se envolver, de se comprometer, de criar intimidade e correr riscos, mostrando todas aquelas partes que menos gostamos de nós mesmos. Aquele seu lado grosseiro que só a sua família conhece, a remela no olho e o bafo do amanhecer que não são nada românticos. O babaca é aquele covarde que se agarra ao mastro quando o navio está afundando só por medo de se jogar no oceano (vai que o oceano rejeita ele também). Fiquei bem mal quando esse babaca sumiu. Me senti um lixo e me culpei, achando razões em mim pra ter sido descartada. Mas depois passou. Se você por algum motivo está sofrendo por um babaca alheio, permita-se. Sinta a falta, viva o vazio. Xingue o babaca (é ótimo!). Sofra por você e por ele. O babaca só abandona porque ele foi abandonado há muito tempo. Aí ele sai por aí, atrás de alguém que preencha esse buraco que o assola. Quando a sua dor passar, o babaca vai estar lá, como uma criança que perdeu a mãe no shopping, buscando alguém que supra o que ele não encontra dentro dele: amor. Mas não se engane, todos somos babacas. Em maior ou menor nível, queremos ganhar o jogo (que jogo?), sair por cima e nos sentirmos melhores por isso. Já não respondi aquela pessoa que não estava tão afim, já mostrei pros meus amigos como fulaninho queria tanto e eu não estava nem aí. Me senti melhor por isso, fodona, uma grande babaca. A diferença é o quanto você está apegada(o) a esse jogo (?!?!). Alguns já desistem da prática de primeira, outros demoram um pouco mais. Os viciados ficam lá, batendo cabeça. Descobri que o meu babaca sumiu porque voltou com a ex namorada e não sabia como dizer isso. Meses depois, ele veio se desculpar e hoje eu dou aula de yoga pra ele. Salve um babaca você também. > Já salvou um babaca? Conta pra gente a sua história com a #salveumbabaca     beach-yoga  
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Tapando o luto do término com a peneira
27 de agosto de 2015 at 14:49 1
Desde que terminei meu último namoro, sai como louca atrás de alguém para tapar o buraco do luto que tomou conta de mim. Dizem que a dor do luto do término é pior que a dor do luto da morte, porque quando terminamos um relacionamento, a pessoa morre apenas pra você. Ela continua lá, bem viva, existindo todos os dias, estudando, trabalhando, pegando o ônibus e sendo feliz – por mais doloroso que seja - sem estar ao seu lado. Ver o meu ex com uma outra pessoa depois de apenas 3 semanas que terminamos também ajudou nesse processo desorientado. Sempre fui muito competitiva. Se ele superou tão rápido, porque eu não posso superar também? Ainda não tinha entendido que ver o seu ex com outra não significa necessariamente que ele superou o término de vocês. hebe-coracao Assumi o discurso “agora estou pronta para abrir um novo ciclo”, enquanto que lá no fundo, estava desesperada pra fazer sumir aquela sensação de desamparo. Tentei de tudo. Tinder, me acabar na noite e até andar na rua procurando um novo amor (acredite, isso aconteceu). A cada novo encontro, o primeiro pensamento era “será que esse é o meu novo amor?”. Já começava a criar diversas situações na minha cabeça sobre como seria se a gente namorasse ao invés de estar ali, presente, descobrindo e experimentando as mil possibilidades que podem se abrir – ou não - num encontro.

Todas as tentativas foram frustradas, porque na verdade, eu não estava pronta porcaria nenhuma pra um novo ciclo.

Ainda estava de luto e não respeitei esse momento. Tentei ignorar, tapando ele com tudo o que era capaz. Mas sabemos que por mais que a gente esconda a poeira debaixo do tapete, ela continua lá, muito paciente, sem pressa nenhuma, só esperando chegar o dia em que você vai lidar com ela. Nas minhas aventuras por um novo amor, esbarrei com outras pessoas exatamente na mesma situação que eu e é claro que a coisa não funcionava. Era tudo muito intenso. Um tentando tapar o buraco emocional do outro, pulando todas as etapas numa ansiedade sufocadora que assim como começava, acabava. Mais rápido que fogo de palha. dilma-coracao

Em Outubro vai fazer um ano que terminei meu namoro e hoje não tenho mais vergonha em dizer que sim, ainda estou nas reminiscências de um luto.

Logo quando terminou, cheguei a pesquisar na internet quanto tempo que essa sensação bizarra poderia durar. Achei vários artigos que davam prazos diferentes de 2 meses a dois anos. Procurava um dado científico pra dar um prazo, um fim, para aquilo que não tem resposta certa. O tempo necessário é o meu, o seu e é como bunda, cada um tem a sua. Só você vai poder descobrir o tipo de experiências que precisa passar para cicatrizar e aliviar tudo isso. Dói né? Faz parte. xuxa-coracao O meu último acontecimento intenso e frustrado me mostrou uma coisa muito boa. Desde que me tornei solteira, em nenhum momento aprendi a me amar, pura e simplesmente, no sentido mais piegas mesmo. Amar minha cia, ser independente, cuidar de mim. Me vi despedaçada, tentando achar alguém e colocar toda a responsabilidade nesse outro pra me fazer feliz. Se ainda não tinha cuidado do meu jardim, como poderia querer atrair as borboletas? Resolvi arregaçar as mangas e focar em mim. Isso não quer dizer que eu não tenha recaídas. Quando menos perceber posso muito bem estar novamente carente e desesperada colocando a responsabilidade do meu bem estar no outro. Mas agora, nesse exato momento o foco sou eu. As borboletas eu já nem penso. Se vierem, venham sem pressa. To gostando cada vez mais desse jardim que está florescendo aqui dentro. silvio-santos-coracao
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Quem somos nós
14 de agosto de 2015 at 12:17 0
Sempre tive dificuldade para responder a pergunta quem sou eu. Quem sou eu? Posso começar dizendo meu nome. Mas esse nome não diz nada - ou diz - o conjunto de letras, que forma um som, escolhidos pelos meus pais, antes mesmo deu estar nesse mundo e poder responder quem sou eu. Paola. Que não existe no Brasil, mas existe na Itália, só que lá é Paula. Que no Rio virou Lola, mas que já foi Popolão, Popola, Pah, Papol´s. Quem sou eu? Meu CPF e RG dizem qual o meu registro numérico no país onde vivo. Sou número para o estado, contribuinte para imposto. Mais um ou menos um, tanto faz. Meu passaporte e minha cara de presidiária na foto são meu registro no mundo. Um em 7 bilhões. Não tenho mais a impressão digital do dedão da mão direita. Queimei na frigideira fritando um ovo e nunca cicatrizou. Passo hidratante sempre quando lembro, mas o desenho eu perdi faz tempo. Já pensei que se fosse cometer um crime queimaria todos os dedos na frigideira e ninguém acharia rastros das minhas digitais.

Então quem sou eu?

Quando me perguntam isso respondo dizendo minha profissão, o que estudei, qual a minha atividade produtiva atual. Quem sou eu é isso? Não me formei. Tentei comunicação, tentei marketing, teatro na CAL. Larguei, larguei e larguei. Larguei tudo.  Gosto de natureza, correr, sol, amor, afeto, sexo, pão de queijo e da cor azul. Mas o que eu gosto hoje, posso não gostar amanhã. Amo grão de bico. Comi tanto que não amo mais. Sai na rua pra fazer essa pergunta. Quem é você? Uma menina me disse seu nome, depois que era legal e tímida. E o que mais? - Tem um livro que se chama "O Mundo de Sofia" que fala sobre isso. - E aí? – Pergunto animada. - O livro termina sem dizer a resposta.

Se não consigo responder quem sou eu sou ninguém?

Talvez. Ninguém nascido em Belo Horizonte, morado em Curitiba, intercambiado nos Estados Unidos. Que queria, mas nunca foi a Europa. Que gosta de inventar novos nomes e histórias quando bebe. Será que quem sou eu se resume ao meu passado? Um tudão da onde vim e o que já fiz. Fica até bonito dizer: o que sou é resultado das minhas escolhas. Uau… Mas e quem sou eu no agora, fica aonde? Agora sou alguém que escreve de pijama. Mas esse agora já passou e não existe mais. De novo, aqui estou eu sou sendo no passado. Uma vez no primeiro dia de aula de uma das faculdades que larguei, um professor fez essa pergunta. Cada aluno tinha que levantar e apresentar criativamente uma resposta. Depois de algumas apresentações de power point, com fotos, músicas, gráficos e um aluno sapateando, chegou minha vez. Levantei e escrevi no quadro

“eu sou o que você vê”

e fiquei em silêncio. Se sou alguma coisa em relação a você, dependo de você pra existir? E se você não existe onde estou/sou eu?  Talvez isso tudo seja só uma piração gigante. Mas pensa aqui comigo, se sou o que você vê, pensa e julga, pra mim não sou nada, porque não tenho ideia do que você vê, pensa e julga. Fiquei enjoada nessa viagem toda. Quanto mais escrevo, mais agoniada fico porque mais longe de uma resposta "quem sou eu?" , eu estou. Primata, pensante, fritante. Que não é macaco e também não consegue entender o infinito. Fico tonta toda vez que penso na ideia do infinito. Assim como não consigo pensar em 4 dimensões. Presa em 3. Quem sou eu? Infinito não cabe no começo e no fim mas está neles ao mesmo tempo. Junto e misturado, com numa vitamina, sou corpo. Mas aí me dizem que o corpo morre e que é o espírito que fica. Eterno. Queria descobrir onde está guardado o espírito. Provavelmente no mesmo lugar do infinito e da resposta quem sou eu. Sou 27 ciclos de 365 dias até agora e um dia terei um fim, mas não sei quando. Não consigo caber dentro de um currículo. Sempre odiei a ideia de ter que escrever um currículo. Um guru me diria que sou luz. Um físico quântico que sou possibilidades colapsando. Meu pai diria que eu sou linda. Quem é você?
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Maratonistas do Cotidiano
4 de julho de 2015 at 19:18 23
Quando deixamos de fazer as coisas que temos que fazer.
Toda quinta feira posto um texto no #TudãoDaLola. Mas essa quinta passou sem Tudão, sexta também. O texto só veio no sábado. Na quinta à noite assim que deitei na cama lembrei "esqueci de escrever o tudão, merda". Fechei os olhos e dormi tranquila com o pensamento "tive um dia muito corrido hoje, amanhã eu escrevo”. Escrever o Tudão. Essa era uma entre as várias notas na minha agenda de quinta-feira. O dia estava entupido de coisa e eu não sabia como iria encaixar uma sentada pra escrever. Também não tinha ideia do tema. Maioridade penal? Divulgar o Acabou o Amor ? A melhor websérie sobre o amor e que por acaso eu atuo e roteirizo? Clica aqui: www.youtube.com/acabouoamor . Na dúvida e na falta de tempo, resolvi deixar pra depois, quando conseguisse uma janela pra respirar no dia. Acontece que metade dos meus compromissos foram cancelados e mesmo assim a tal janela pra escrever não apareceu, mas de forma mágica nessa mesma quinta consegui correr na lagoa, ficar duas horas numa loja de roupas, comprar livros de pesquisa e fechar  a noite fazendo sopa de couve flor com beterraba assada e tomilho. Sem contar as mil vezes que entrei no Facebook pra me sentir amada. Agora, quando alguém aparecia pra perguntar como eu estava a resposta vinha rápida e certeira: na correria. E essa é a sensação. De que apesar de estar fazendo apenas as coisas que escolho fazer, estava sempre sem tempo pra nada. Falta tempo pra escrever, mas pra fazer sopa, não.

Tempo a gente tem pro que quer ter.

Quando alguém me diz, queria tanto te ver, mas não tenho tempo, entendo com todo o amor da seguinte forma: quero te ver, mas no momento tem outras coisas que eu quero fazer mais. Ai na ordem de prioridade, você vem depois. E não fico brava por isso. Nem bato o pé cobrando ou pedindo atenção, apenas respeito. Se essa pessoa fosse minha prioridade eu ja teria dado um jeito de vê-la. Eu a adoro, mas ela não está nas minhas prioridades agora e isso faz parte. Também não posso forçar o outro a me colocar na sua lista de prioridades. E isso também faz parte. Brigar pela atenção e o tempo do outro é uma guerra perdida. Quando você recebe uma mensagem de alguém que está apaixonada, responde na mesma hora. Só vai demorar se quiser usar isso como estratégia não estou tão aí pra você, então demoro pra te responder. Caso contrário, a resposta é imediata. Agora me diz quanto tempo você demora pra responder aquele grupo de família com seus tios mandando imagens, piadas e vídeos aleatórios? Para eles, estamos sempre corridos e sem tempo. Maratonistas do cotidiano. correria Quando aquele gato te chama para sair, você dá um jeito de cancelar tudo e vai. Quando você quer muito comprar aquilo, faz por onde. Quando quer conseguir aquela coisa, também. Mesmo que a sua falta de tempo seja justificada pelo trabalho, essa é uma escolha. A falta de tempo nunca é o trabalho. A falta de tempo está em você, que escolheu essa profissão, essa cidade, esse cargo ou esses filhos e estilo de vida pra sustentar e trabalhar muito. Maicon, pode brigar comigo. Eu tive todo o tempo do mundo para escrever o texto da semana, mas escolhi fazer outras coisas que por algum motivo me pareciam mais importantes-melhores-interessantes - mesmo que agora eu não perceba a importância de lavar roupa de cama e assar banana com mel no microondas numa manhã de sábado. Eu amo escrever, mas naquele momento escrever parecia menos urgente do que assar banana. E é assim na vida. Eu amo você, mas hoje não quero te ver. Amanhã pode ser que sim, vai depender do meu tempo ou da minha vontade de ter tempo. Tempo a gente tem. E é igual pra todo mundo. Quem escolhe o que vai fazer com ele. Somos nozes. E as arvre...
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Vivendo menos que um mosquito
25 de junho de 2015 at 18:09 1
Nessa semana fiz 27 anos. A pergunta clássica que veio é aquela: como você se sente? Normal. Igual ontem, igual hoje. Me sinto viva, obrigada. Com sede, talvez. Aniversários tem tudo para ser lindo ou traumáticos. Podem ser lindos e traumáticos ao mesmo tempo. O meu foi só lindo. Mas eu te entendo se você odeia fazer aniversário e tenho certaza que tem seus motivos traumáticos para isso. Parei para pensar o que são 27 anos. Para quem está na casa dos 30 e poucos, a referência é “olha lá heim, você já está chegando nos 30”. É uma mania de marcar “os 30” como uma referência de algo negativo. Como aquela placa na porta do elevador: Cuidado com “o MESMO”. Coitado, o mesmo nunca fez nada. aviso-elevador-o-mesmo É como se tivéssemos apenas 30 anos nessa vida para resolver tudo. Uma cobrança externa e, muitas vezes, interna de solucionar tudo ou boa parte até aí. Como se a vida fosse um quebra cabeça com solução. Faça uma visita ao leito de um hospital com pacientes terminais e pergunte para a galera na beira de passar pro outro plano qual foi a solução da vida deles. Não tem, não existe. Se tivesse e eu soubesse, já estaria vendendo e dominando o mundo. A expectativa dos 30: eu tenho que (ou deveria) ser bem sucedida na minha carreira, ter uma casa própria, estar casada - ou vislumbrando um casamento - e planejar filhos até os 35 anos no máximo. Se eu não estou nesse caminho, me frustro. Olha para os outros que estão e sinto uma pontinha de inveja. Chamo de inveja branca para parecer mais fofa. Abro um pote de sorvete e me acabo nele. NOT. Eu não vejo dessa forma. A realidade: me aproximo dos 30 com uma carreira flutuante (quem mandou ser atriz e escritora), divido um apartamento e estou solteira. Mas fico feliz a cada ano que passa. Agradeço a cada dia que acaba. Fico empolgada pros 30 que se aproximam. Adoro o passar do tempo e não arranco cabelos brancos. Agora para os que estão na casa dos 40 pra cima, eles vão olhar para essa menina que não sabe de nada e está aqui filosofando sobre 30 anos e dizer: “Nossa, tão novinha, só tem 27 anos. Não sabe de nada”. Inocente.  A prima com 13 anos vai pensar: “Muito velha, já tem 27 anos”. Tudo vai depender do ponto de vista e todos estão certos. O planeta onde eu vivo, demora 365 dias ou um ano para dar uma volta em torno de si. Desde que nasci, esse planeta – que pode vir a ser o mesmo que o seu - deu 27 voltas. Eu demoro 27 segundos ou menos para dar 27 voltas em torno de mim mesma.  Confesso que ainda não tentei, mas assim que terminar aqui vou tentar (ficar tonta e cair no chão como uma batata). Usando esse ponto de referência para comparação, para o meu planeta, eu tenho 27 segundos de vida. Não consigo chegar nem a um minuto. Não posso comparar minha medíocre vida nem a de um mosquito de 24 horas. Nessa lógica, se você tem 60 anos, parabéns,  consegue ter um minuto de idade em relação ao meu - seu – nosso planeta. Você pode dizer que eu deveria pegar a idade do planeta ( apenas 4,54 bilhões de anos) e fazer uma regra de 3 com os meus 27 anos pra saber a minha real idade em relação à pedra flutuante cheia de água onde vivo, mas eu achei a brincadeira das voltas mais lúdica, o aniversário é meu e eu faço o que eu quiser. No fim das contas, somos um monte de bebês humanos, lutando para entender nossas loucuras, o amor, nossas neuroses, nossa dramas, traumas, a teia que a gente constrói e embola a cada dia, ano ou volta que passa. Todo dia acordamos na busca de dinheiro, de felicidade ou de um grande amor. A longo prazo, queremos deixar um legado, ser lembrados e perpetuar a espécie. Quando na verdade, somos apenas segundos de vida, flutuantes num universo que se diz expandir e que é infinito. E você aí, se achando muito velho ou vivido pra qualquer coisa. Feliz aniversário, bebê. ghost-scared-of  
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#TudãoDaLola
#TudãoDaLola – Um Morto na Lagoa
21 de maio de 2015 at 14:59 0

Há alguns anos escolhi não ler e assistir nenhum tipo de jornal. Se pego um jornal na casa de um amigo, leio o caderno de cultura. Pulo todas as novelas de atrocidades, os contos de violência e as lendas de corrupção, não quero nem saber. Pode me chamar do que quiser por essa escolha. Passiva! Pode dizer que não posso reclamar depois. Diga. O meu pai diz que se preocupa com tamanha desinformação, como se ser ou estar informado me tornasse uma pessoa melhor ou pior nesse mundo louco nosso.

Acontece que as notícias que realmente importam chegam até mim. Lendo ou não jornal, estando ou não à noite no sofá com o Bonner do JN. Eu sei que o Nepal sofreu um terremoto e que muita gente morreu. Não preciso saber quantas pessoas, obrigada. Sei da operação Lava Jato, o buraco da Petrobrás, os prêmios por delação. Não sei os nomes, mas sei que nada vai mudar, que alguns serão pegos para Cristo, mas outros virão para ocupar o lugar daqueles que já saíram. Quer queira, quer não, sei mais detalhes do que gostaria.

Moro no Rio, bem perto da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde um ciclista foi morto por menores de idade com uma facada no abdômen por volta das 18hrs nessa semana. Fiquei sabendo do assalto e no dia seguinte, da morte. Aqui no Rio há algum tempo descobriu-se que um assalto torna-se mais efetivo se for com uma facada antes. O raciocínio é ótimo: se eu te meto um facada antes de anunciar o assalto, você não tem tempo para reagir e eu levo o que eu quero. Faz todo sentido do ponto de vista do assaltante, cujo único objetivo é tirar o bem material que ele quiser na forma mais eficaz da operação (qualidade x tempo). Se você não sabia disso, agora sabe. A informação do assalto e morte do ciclista, que também era médico chegou até mim pelas pessoas que conheço – Você viu o ciclista que foi morto? O Rio tá foda mesmo - e pelo Facebook com uma foto do corpo da vítima no chão com uma mancha de sangue.

Desde então, a discussão voltou para a redução da maior idade penal. Pipocaram como milho na panela quente com óleo: aqueles que são a favor e aqueles que são contra. Da mesma forma que pipocaram os que iam votar na Dilma e os que iam votar no Aécio no período das eleições (mas isso aí, já é pipoca murcha).

Os argumentos de defesa e ataque são bem definidos de cada lado e não me interessa entrar nisso. Até porque se você quiser saber, sabe os meios e aposto que já tem a sua opinião formada.

A Massa são os Outros

Eu sou eu, você é você.

O meu eu para você é uma terceira pessoa. Somos terceirizados numa via de mão dupla, uma lavando a outra. Somos também nós, por qualquer perspectiva que seja, desde a de quem, porque ou até para que. Somos um em 6 bilhões. Unidade multiplicada ao quadrado do dobro. O nosso limite termina onde começa o infinito do outro e isso acaba nos simplificado para uma mera possibilidade de escolha, RG ou CPF.

Eu, você nós e eles. Nos nossos atos, temos os fatos e nas opções as consequências. A matemática dá fórmula para isso: o mundo pedindo multiplicação - de dados, informações, notícias, posts, likes, curtidas, sucesso e dinheiro - mas o nosso grito é outro. Nadando conta a maré que criamos diariamente, em silêncio, no nosso interior, gritamos em uníssono como um – todos - por percepção e sensibilização. Por um são, que é sensível o suficiente para perceber, que atravessa a noção de si e enxerga o todo como parte da consequência.

Isso vai muito além do eu com ela e eu sem ela, ou nós por cima e nós por baixo. Vai além de apontar o dedo por outro. A culpa é dos políticos. A culpa é da corrupção. A culpa são os outros. As pessoas fazem. Eles estão certos e eles errados.

A culpa é nossa. Sua, minha, dele. Primeira, segunda ou terceira pessoa, não importa. Deixo de ser eu para mim mesma, percebo e aceito a minha – a nossa - escuridão. O medo e a angústia são as armas que usamos por receio de encarar desconhecido. Pode negar. A negação suaviza a dor. Não sou eu, são eles. Nos perdemos dentro de nós mesmos com justificativas e ataques, mergulhados no delírio da nossa própria ilusão, criada por um singular vós-você- eu-ele.

A mudança começa pequena e vem de dentro. De você para o todo. Temos a faca e o queijo. Diga-me o que fazes, que te direi o que há por vir.

faca-e-queijo

> Escrevi esse texto em 2009 e não faço ideia do motivo, mas achei que ele cabia aqui. A receita de gelo de couve não cabe. Empurro com a barriga para a próxima semana.

#tudaodalola

 
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